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Siderópolis – SC

Os futuros médicos do Brasil

Em plena pandemia muitos alunos perderam as aulas práticas, inclusive os de medicina, os quais deverão repô-las em algum momento da grade por força da lei ou do bom senso, afinal, não há como formar um médico à distância.


O curso de medicina é muito voltado à elite. As universidades particulares (no valor mínimo) cobram cerca de mais de 6 mil reais por mês, enquanto algumas podem chegar a mais de 13 mil. Inclusive a universidade pública não é pública – ela também é elitizada.
Passar em federal custa dinheiro e tempo. Por vezes, anos em cursinhos pré-vestibulares, que na maioria dos casos são custeados por outrém, até conseguirem passar e serem sustentados pelo dinheiro PÚBLICO. Há quem faça medicina por amor, mas há quem não e isso é visível. Muitas vezes o perfil do candidato é aquele aluno mediano que terminou o ensino médio às coxas, frustrou-se e viu-se obrigado pela família a estudar firmemente para não estar abaixo dos pais ou ter que sobreviver com salário mínimo ou para evitar de “se envergonhar” em usar um uniforme de profissão “inferior” ou até mesmo por status.


O problema é mais que urgente. Os gênios são afastados da vaga por falta de incentivo financeiro, e preferem contentar-se com outros cursos. Nem sempre o que aprendem na escola basta para passar num vestibular. Isso é evidente em escolas públicas: quantas tiveram a capacidade e a ousadia de contribuir um dos seus filhos ao tão desejado curso? Poucas, e vamos continuar mantendo o padrão de elite, produzindo médicos medianos, enquanto os que tem capacidade – e não dinheiro – são deixados de canto.
As empresas neste ramo também não são santas. Há quem coloque os olhos nos melhores alunos da região, ofereça uma bolsa ou desconto e cresça em cima do sucesso deles, ostentando em outdoors a quantidade de seus alunos aprovados, ou pasmem, apenas as aprovações, cujo um mesmo aluno pode ter passado em 3 faculdades, por exemplo. Os que vem depois do estrondoso sucesso, que possuem o desejo e capacidade, também são deixados de lado, porque depois do crescimento exponencial, o que é importa é o lucro, e muitas vezes não conseguem pagar.


Sonho e desejo que um dia a nossa sociedade tenha condições de nascer da periferia, da pequena comunidade, ou da escola pública do município, mentes brilhantes que mereçam seu lugar e possam mudar a história, sendo incentivados, apoiados, e com condições educacionais tão boas a ponto de competir de igual para igual.
E aos médicos ou acadêmicos que fazem seu curso POR AMOR, desejo que sejam luz e não cansem de crescer para o bem da população. Vocês estão sendo heróis neste momento, e queremos guerreiros tão fortes quanto para as próximas batalhas.

Por: Artur Comin

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